terça-feira, 24 de novembro de 2009

AUGUSTO DE FRANCO: A ARTE DE TECER REDES

Assisti ontem no curso promovido pelo professor Evandro Ouriques(UFRJ) - Jornalismo para políticas públicas e sociais - uma aula com o Augusto de Franco(criador da Escola de Redes). São minhas anotações baseadas no que ele falou e pesquisas posteriores de coisas que achei interessante ressaltar. Ficou um pouco grande. Mas vale a pena ler e pensar o que seria viver num mundo livre.

NETWAVING(A ARTE DE TECER REDES)
“Exploração no espaço, tempo dos fluxos.”

Base de pesquisa:

- Aléxis de Toqueville: A Democracia na América, surgido em 1835. Livro que o promoveu uma posição perspicaz dos tempos modernos.

- John Dewey: A educação tem como finalidade propiciar à criança condições para que resolva por si própria os seus problemas, e não as tradicionais idéias de formar a criança de acordo com modelos prévios, ou mesmo orientá-la para um porvir. Tendo o conceito de experiência como fator central de seus pressupostos, chega à conclusão de que a escola não pode ser uma preparação para a vida, mas sim, a própria vida.

- Hannah Arendt : A condição Humana – formas de vida que o homem impõe a si mesmo para sobreviver. Somos condicionados pelos nossos próprios atos, pelo que pensamos e nossos sentimentos. O ser humano é um ser social. Nietzsche afirma em seu “Humano, desmasiado humano” que, aquele que não reserva, pelo menos, ¾ do dia para si é um escravo. Para os gregos, a escravidão, do ponto de vista de quem se beneficia dela, - os próprios filósofos da época - salva o homem de sua própria animalidade.



trabalho x labor:



Trabalho - Mesa: objeto material produzido para o uso cotidiano e ocupa lugar no espaço. Objeto de uso. Necessário ao relacionamento humano.


Labor - Pão: elemento material produzido para à sobrevivência de seres vivos e não ocupa lugar no espaço, visto que durante a digestão o pão é transformado em energia do corpo. Bem de consumo. Permite a vida.

A afirmação: os índios não trabalham, não quer dizer que eles são preguiçosos, quer dizer que eles não produzem valor de troca, portanto, não realizam trabalho. Quando Marx pensa que o trabalho pode ser constitutivo do homem, ele não está usando como pressuposto o conceito valor de troca.

O exercício de imaginar e depois construir é próprio do ser humano, e, é nesse sentido que Marx diz que o homem é o único animal que trabalha. O homem imagina e depois faz.

Arendt fala que existe um processo circular entre meio e fim, instrumento e objeto; em que todo fim se torna meio e todo meio se torna fim. Assim nos explica Hannah Arendt: “Num mundo estritamente utilitário, todos os fins tendem a ser de curta duração e a transformar-se em meios para outros fins.”

Não é possível, (dentro dos termos de Arendt), existir trabalho sem labor, ainda que seja possível o inverso. Ao passo que o labor produz a matéria para incorporá-la ao organismo, o trabalho a produz para que esta seja usada na produção de outros objetos e na materialização do abstrato(exemplo, colocar no papel uma idéia). Uma outra distinção entre trabalho e labor consiste em que, enquanto o labor exige o consumo rápido ou imediato, o trabalho não. A lógica do trabalho é a durabilidade dos objetos. Sua durabilidade permite a acumulação e estoque dos objetos.

- Jane Jacobs (Morte e vida de grandes cidades, São Paulo: Martins Fontes, 2000)

- Humberto Maturana : Trouxe para o ambiente acadêmico o verbo “amar”, ele propõe que a ciência ultrapasse as limitações impostas pelo pensamento exclusivamente cartesiano. afirma que o amor é intrínseco à estrutura biológica dos seres vivos, pressuposto a partir do qual levanta uma série de reflexões sobre o comportamento humano. Questiona, por exemplo, a crença popular de que as crianças são o futuro da humanidade, atribuindo tal responsabilidade aos adultos que as educam. Opõe-se também a visões que predeterminam a existência do indivíduo apenas a partir de sua história passada. Em sua concepção, o comportamento de uma pessoa é continuamente re-aprendido, como resposta ao meio em que vive. Argumentando que a causa de cerca de 90% do sofrimento humano está no desamor, juntos, Maturana e Ximena concluíram que amar é a principal medicina. Desenvolveram então A Biologia do Amar, prática que utilizando a linguagem como instrumento de reflexão, é capaz de provocar transformações libertadoras. É um verbo intransitivo que abre espaço para uma relação diferente com o mundo. Esta atitude, porém, exige que se abra mão do egocentrismo e que seja desenvolvido um olhar sistêmico, que se ocupe com o bem-estar de outras pessoas e do meio-ambiente. Ou seja, que possibilite ao próximo um espaço onde ele possa existir plenamente, ao invés de oferecer-lhe instruções de como e o que fazer. O compromisso, no entanto, deve ser pessoal.


- Manuel Castells

O que torna uma localidade viva? Para o professor Augusto de Franco a liberdade independe do que se pensa, pois cada pessoa seria uma rede e cada ser humano uma pequena sociedade. Ressalta que o social não está em cada um de nós, mas o que está entre nós. A fenomenologia das palavras fechadura, porta, muros remetem a imagens que são maneiras de obstruir fluxos. As hierarquias geram escassez de caminhos. Quando se verticaliza o eixo há apenas uma maneira de chegar ao topo e gera escassez. Pessoas conectadas horizontalmente geram subversão. Organizações hierárquicas de seres humanos geram seres não humanos. Tal como a democracia é um movimento de desconstrução de autocracia, as redes devem ser vistas como movimentos de desconstrução de hierarquia.



Redes centralizadas, descentralizadas e distribuídas:






A rede neural é um bom exemplo da idéia básica da sustentabilidade. Congruências múltiplas e recíprocas.
Na nova ciência das redes aparecem conceitos como:

- Clustering: fenômeno de aglomeração.
- Swarming: enxameamento
- “O mundo está ficando pequeno”(em termos sociais. Redução dos graus de separação. Aqui poderíamos falar em empoderamento(quanto maior o poder social menos o mundo)
- Crunshing: voltar a se unir/amassamento

Rede-mãe: os seres humanos geram ordem quando se conectam uns aos outros. Redes distribuídas são interfaces para conversar com a “rede mãe”. Por isso a diferença entre participar e interagir (construir junto alguma coisa).

Há uma coisa importante subententida no Netwaving: é, de certo modo, abrir mão de ter sua própria turma.





Um comentário:

  1. agradecemos o seu interesse. a sua resposta encontra-se agora publicada no blogue.

    www.terrasonora-nunoviana.blogspot.com


    Ed. Pluma Branca

    ResponderExcluir